[ad_1]

O feliz crescimento na conscientização da população brasileira em saúde mental tem feito que, a cada ano, mais pais e mães busquem compreender a respeito do funcionamento de seus filhos por meio de um diagnóstico que explique padrões de sintomas, comportamentos e atitudes que desviam daquilo considerado típico para crianças de determinada idade.

Esse aumento na busca por diagnósticos fez o número de crianças com TDAH e TEA crescerem a uma taxa de quase 10 e 20 por cento, respectivamente, dentro do último ano. Ao mesmo tempo em que isso é positivo do ponto de vista da compreensão do funcionamento da criança, que poderá ter acesso a intervenções e tratamentos específicos e efetivos, também faz com que outros pais e mães se questionem: como é possível identificar sintomas desses transtornos típicos da infância em meu filho ou filha e de que forma ele poderá ter um diagnóstico preciso?

Principais diferenças entre TDAH, TOD e TEA

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, ou TDAH, é o transtorno do neurodesenvolvimento mais diagnosticado em crianças ano após ano, atingindo entre 5 e 10% de todas as crianças, segundo o DSM-V. Além disso, em média, meninos são diagnosticados com TDAH três vezes mais que meninas. Apesar do número de diagnósticos por ano, o TDAH é um transtorno que pode ser muito bem manejado com as intervenções certas e representar pouca influência na vida da criança, sobretudo, à medida que ela cresce e expande seu repertório comportamental e compreende as melhores formas de controlar os sintomas do transtorno.

Esses sintomas incluem, principalmente, uma capacidade de concentração fraca, sobretudo com dificuldade em sustentar essa atenção, ou seja, mantê-la por longos períodos de tempo, e comportamentos hiperativos, que podem ser confundidos com uma grande agitação, inquietude, dificuldade em permanecer parado, impulsividade nas falas e ações, entre outros.

O lugar onde mais se costuma observar esses sintomas na criança é na escola, quando a comparação com outras crianças de mesma idade permite identificar comportamentos incomuns. Não é raro que a criança com TDAH, nesse ambiente, apresente dificuldade em acompanhar as aulas por não conseguir manter o foco nos professores ou nas atividade; demore mais que o comum para entregar as tarefas propostas; levante algumas vezes de seu lugar, mesmo que seja no meio da aula; peça muitas vezes para ir ao banheiro ou para fazer coisas diferentes; converse demasiadamente com outros colegas mesmo durante as explicações do professor, entre outros.

Perceba que aqui não está em jogo a capacidade intelectual da criança, que muitas vezes pode ser muito inteligente. A questão é que a criança com TDAH, por conta de prejuízos no funcionamento cerebral (principalmente nas vias dopaminérgicas), tem muita dificuldade em direcionar e sustentar a sua atenção em um mesmo estímulo. Ou seja, o professor pode até atraí-la por alguns minutos, mas depois o colega chamou sua atenção, seu lápis caiu no chão, alguém disse algo no outro lado da sala e quando vemos, a criança está contando com diversos estímulos ao mesmo tempo e não sabe onde focar, o que vai prejudicar o seu funcionamento cognitivo e comportamental.

Crianças com Transtorno Desafiador Opositivo, mais conhecido como TOD, por outro lado, não costumam apresentar esses déficits na capacidade atencional. Diferentemente, esse transtorno, também presente em crianças e mais em meninos do que em meninas, é caracterizado por um padrão recorrente e por vezes constante de comportamentos desafiantes e desobedientes em diversos ambientes e geralmente voltado contra figuras de autoridade.

Essas crianças não são más, que isso fique claro. Também não devem ser confundidas com crianças com transtorno de conduta, uma vez que crianças com TOD raramente se utilizam de agressão física ou violam o direito dos outros em suas ações. Seu comportamento desafiador, quase que todas as vezes, é voltado contra ordens de figuras de autoridade como pais, mães, professores, familiares mais velhos, cuidadores, etc. Apesar disso, elas tem consciência do certo e errado e demonstram remorso quando tomam uma atitude flagrantemente censurável.

Os principais sintomas do TOD na criança podem ser representados por muitas discussões com adultos, às vezes desnecessárias, desafiar ativamente regras e normas dos ambientes em que está, culpar terceiros pelos seus erros, sentir raiva e ressentimento, entre outros. Além disso, esses sintomas devem ser observados em mais de um ambiente de interação da criança, como casa e escola, por exemplo. Esse padrão de comportamento, caso ocorra apenas em um lugar, talvez não seja caracterizado como TOD, e sim alguma particularidade na interação da criança com esse ambiente em específico.

Por fim, o Transtorno do Espectro Autista, também conhecido como TEA ou popularmente chamado de “Autismo”, assim como o TDAH, é um transtorno do neurodesenvolvimento. Isso quer dizer que ele vai afetar a forma como o cérebro deveria se desenvolver.

É muito importante prestar atenção à palavra “espectro”, no nome desse transtorno. Isso significa que existe uma considerável variação no grau e na severidade dos sintomas entre pessoas que recebem o mesmo diagnóstico. Isso quer dizer que da mesma forma que existem pessoas com TEA com uma capacidade intelectual acima da média, existem outras com acentuadas dificuldades intelectuais e mesmo não-verbais, ou seja, que não falam ou falam muito pouco. Isso é importante de ser compreendido.

As principais características do TEA, dessa forma, não incluem questões necessariamente cognitivas ou intelectuais (por mais que elas possam estar presentes), mas sim, em relação ao funcionamento social, à interação e à comunicação da criança, cujos sintomas podem ser percebidos desde muito cedo, às vezes dentro dos primeiros 3 anos de vida.

É muito comum para a criança autista apresentar uma acentuada dificuldade na interação com outras crianças e na comunicação com pessoas em geral. Como o cérebro dela processa a informação de forma diferente do cérebro típico, sobretudo por contar com períodos de sincronização neural muito mais longos que pessoas sem o transtorno, isso faz com que as pessoas com TEA tenham dificuldade em alternar entre diversas ideias e pensamentos para sustentar uma interação social típica. Além disso, é muito comum que surjam ideias fixas – assuntos de muito interesse, quase obsessivos – e que as pessoas com TEA tenham comportamentos repetitivos e esteriotepados, como mexer as mãos ou piscar demasiado, por exemplo.

Quando os principais sintomas da criança, nesse sentido, são de dificuldades na comunicação com outras pessoas, acentuada dificuldade na interação com outras crianças no ambiente escolar, grande incômodo em lidar com muitos estímulos – como luzes e barulhos -, interesses restritos em um ou poucos assuntos e também a presença de estereotipias, sobretudo de movimento, e esses comportamentos serem percebidos desde cedo, a partir dos 2 anos, pode ser adequado buscar uma avaliação para TEA.

Mas como diagnosticar esses transtornos?

Sabendo as principais características de cada um deles e como eles podem impactar o funcionamento e a qualidade de vida do seu filho, é importante saber: como é possível contar com um diagnóstico preciso e, assim, ter acesso às melhores e mais adequadas intervenções?

Em primeiro lugar, haverá uma hipótese diagnóstica que pode ser emitida por qualquer profissional da saúde mental e do cérebro e parte, em primeiro lugar, da desconfiança da família e dos cuidadores de que aquela criança está com um funcionamento atípico. Essa é a hora de buscar um psiquiatra, neurologista ou psicólogo para uma primeira investigação.

Com isso, os médicos poderão explorar aspectos orgânicos daquele cérebro e possivelmente descartar alterações que podem estar causando os sintomas identificados. Assim, estando o cérebro morfologicamente típico, entende-se que os sintomas devem ser por conta de uma alteração funcional, ou seja, na forma como ele funciona. Depois disso, em 100% dos casos, deve-se buscar uma Avaliação Neuropsicológica estruturada e conduzida por um profissional da Neuropsicologia com CRP ativo.

Essa Avaliação vai explorar, por meio de entrevistas, testagens, questionários e outros instrumentos, aspectos muito extensos do funcionamento cognitivo, social, emocional e de personalidade do paciente, em um processo que leva dias (e às vezes, semanas) e gera um Laudo Neuropsicológico extenso e com a descrição detalhada de como aquele cérebro funciona e como ele processa a informação, além de como a criança funciona socialmente e aspectos de sua personalidade que levam a seus comportamentos. Tudo que é necessário saber para se chegar ao diagnóstico preciso.

Por fim, descartadas as alterações médicas e com a Avaliação Neuropsicológica realizada, o profissional da psicologia ou da psiquiatria pode concluir o diagnóstico de TDAH, TOD ou TEA. Em alguns casos, inclusive, exames como o de Eletroencefalografia Quantitativa (EEGq) ainda podem contribuir para um diagnóstico diferencial desses transtornos e ajudar nas orientações para o melhor tratamento.

Com isso em mente, caso você esteja suspeitando de um diagnóstico de algum desses transtornos para seu filho ou filha, não deixe de sempre buscar as melhores práticas de avaliação para que isso possa ser investigado adequadamente. Como comentei, um diagnóstico preciso é essencial para que se chegue a uma intervenção adequada e com grande potencial de fornecer qualidade de vida às crianças com TDAH, TOD ou TEA.

 

[ad_2]

Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *